Eu acho que és, pequena,
um pouco de sombra e luz.
Tens olhos e voz tão mansos,
é lá que me guardo
quando te olho.
Parece que és, pequena,
um pouco do que me salva,
e se tens tu um tanto
dessa meninice boa,
tens também algo que me resguarda
e que, por tolice,
me faz sentir medo em certas horas,
um medo bobo de te parecer pequeno
e teu olhar não ver no meu
mais além do que aquilo que vês
quando eu sorrio
e os olhos ficam pequenos.
Quando eu seguro tua mão,
traduzo um mundo
que pode ser meu
e sinto uma felicidade
de futuro bonito.
Teu afeto transcorre teu corpo
e se transforma em carinho.
Os olhos parecem pedir ressalva
e um abrigo que não nego.
Receio que és, pequena,
um tanto desse meu alento,
um pouco dessa minha calma.
Receio também que já é tarde,
não há como voltar atrás
agora que sei dos teus olhos,
da íris, da boca e dos teus sinais,
agora que reconheço, feliz,
os teus detalhes, tua minúcia,
tua nuca,
tua voz calma
e o sorriso.
Agora parece inevitável,
eu acho que és, pequena,
o meu futuro.
Esquadrinhando
Há 5 anos