Goteja,
como tortura
o ar tão preso
sustenta o peso
da clausura.
Goteja,
como água suja
idílio de desgosto,
demasiado tarde
a navegar na lama.
Que seja!
Infame como o futuro
suspiro o ar tão fraco
alarde o vento parco
imperial, impuro.
Goteja,
a quem deseja gotejar
o arrulhar dos pombos,
tua face assim, doente
o olhar frio que lamenta.
Goteja,
como ciúme
o mar desfaz então
a onda desponta,
alinha o barco no infinito.
Que seja!
No mar aflito
as mágoas não têm altura,
sustentam o peso da clausura
no ritual mítico da praia.
Goteja,
gorjetas,
pra eu enriquecer,
as gotas me esgotam,
a gorjetear.
Para que?
Para que, então, gotejar?
E no fim não ser,
Dia a dia,
gota a gota?
Esquadrinhando
Há 5 anos